terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Se crise piorar, morador de São Paulo pode ter água dois dias por semana

SÃO PAULO - A população de São Paulo pode ter água apenas dois dias por semana, caso a situação da crise hídrica que o estado atravessa piore ainda mais. Em um cenário em que a quantidade de chuvas fique muito abaixo das médias históricas e o consumo na região metropolitana aumente, seria necessário adotar um rodízio de dois dias com água e cinco dias sem, segundo o diretor metropolitano da Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp), Paulo Massato. Por enquanto, porém, segundo a Sabesp, não há data para isso acontecer. Massato disse, nesta terça-feira, que se a Sabesp optar por adotar um rodízio, a restrição terá que ser “drástica” para economizar mais água do que vem sendo economizada nos últimos meses. Há duas semanas, o presidente da Sabesp, Jerson Kelman, admitiu que a companhia estuda o rodízio em uma situação extrema, embora a medida venha sendo constantemente negada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB). Ainda segundo Massato, o rodízio também estaria condicionado a uma redução no limite de água que pode ser retirada do sistema Cantareira, conjunto de represas que abastece 6,5 milhões de pessoas na região metropolitana de São Paulo. A vazão máxima é determinada pela Agência Nacional das Águas (ANA) e pelo Departamento de Água e Energia Elétrica (DAEE). Em dezembro de 2013, a Sabesp retirava 32 mil litros por segundo do Cantareira. Atualmente, distribui 16,5 mil litros por segundo. — Para fazer um rodízio, nós teríamos que fazer um rodízio muito pesado. Se as chuvas insistirem em não cair no sistema Cantareira, seria uma solução de um rodízio muito pesado, muito drástico — disse Massato nesta terça, durante visita a estação de tratamento de água em Suzano, na Grande São Paulo, acompanhado do governador Alckmin. A quatro dias do fim de janeiro, que em geral é o que tem maior precipitações no ano, choveu 49,5% da média histórica na região do Cantareira. Por outro lado, o consumo de água na Grande São Paulo caiu cerca de 25%, de acordo com a Sabesp, passando de uma média de 71 mil litros por segundo, em janeiro de 2014, para 53 mil litros por segundo neste ano. No último dia, no Cantareira, entrou mais água do que saiu, o que fez com que o nível dos reservatórios ficasse estável. — Nossa engenharia está correndo contra o relógio. Estamos batendo novos recordes de baixas precipitações — disse Massato.

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